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Brasil já é o segundo principal mercado da indiana Torrent

Após os bons resultados, a empresa deverá investir em uma fábrica local.

O mercado brasileiro já é o segundo mais importante para a farmacêutica Torrent, a quinta maior fabricante de medicamentos da Índia, que opera em 27 países. Nos primeiros quatro meses de 2004, a empresa registrou no Brasil faturamento de US$ 5 milhões. O resultado local ultrapassou o obtido pela Torrent na Rússia, onde suas vendas foram de cerca de US$ 5 milhões no ano passado inteiro. O principal mercado da companhia é a Índia, que responde por 70% de sua receita.

Presente no Brasil há apenas 20 meses, o laboratório ainda não tem fábrica local e importa da Índia os medicamentos que comercializa no mercado nacional. "Se o faturamento brasileiro alcançar US$ 20 milhões neste ano, como estimamos, deveremos iniciar operações fabris aqui em 2005", disse o presidente da Torrent do Brasil, Harihar Balkrishna, também vice-presidente de operações internacionais para a América Latina da Torrent. Em 2003, a Torrent obteve receita de US$ 7,5 milhões no Brasil.

Balkrishna explicou que inicialmente a empresa planeja apenas embalar os produtos no País e já está analisando locais para a instalação da unidade, que deverá receber investimento de US$ 5 milhões. A fábrica poderá ser erguida na capital paulista, onde fica a sede da empresa, ou no interior do estado. A Torrent avalia também propostas de incentivos fiscais recebidas de governos de outros estados, segundo Balkrishna.

O objetivo, além de atender o mercado local, é de que a unidade sirva como base para a entrada da empresa nos países vizinhos. Na América Latina, a farmacêutica só opera no Brasil, mas está iniciando a prospecção de outros mercados, disse o presidente da subsidiária, que adiantou também que todos os detalhes ainda estão em estudo.

Desde que se instalou no País, o laboratório já investiu cerca de US$ 7 milhões. Contudo, a empresa ainda não apurou lucro nas operações locais, apesar do crescimento no faturamento. "Estamos sempre investindo para expandir a atuação no País", disse Balkrishna. Para este ano, estão previstos US$ 5 milhões em investimentos, entre marketing, lançamentos de novos produtos e testes de medicamentos.

A receita obtida no primeiro quadrimestre foi 17% superior à registrada nos últimos quatro meses de 2003. Já em comparação com igual período anterior o aumento foi mais expressivo, de 560%. "Contudo, estávamos operando aqui há apenas alguns meses e somente em alguns estados da região Sudeste e por isso a comparação de iguais quadrimestres fica supervalorizada ", explicou o diretor comercial da Torrent do Brasil, Orlando Famá.

O bom desempenho no mercado local resulta da expansão da área geográfica de atuação da Torrent, que começou por São Paulo, Rio e Grande Vitória (ES) e agora opera em todos os estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. No próximo ano, segundo Famá, as vendas da empresas deverão ser ampliadas para todo o território nacional. Os produtos da Torrent são vendidos em cerca de nove mil pontos-de-venda atualmente, ante os 6,5 mil do primeiro ano de atividade no Brasil, afirmou Famá. Com a expansão, hoje a Torrent emprega 122 representantes e tem 162 funcionários no total.

O aumento no portfólio e preços competitivos também ajudaram a alavancar as vendas da Torrent. Inicialmente, o laboratório comercializava seis produtos no País para doenças cardiovasculares e do sistema nervoso central. Hoje, tem 14 no mercado e deverá lançar mais três no próximo mês, dois deles - o Azulix (glimepirida) e o Azukon (gliclazida) - marcam a entrada da empresa no segmento de diabetes.

A competitividade em preços, entre 30% e 60% mais baixos que os dos concorrentes, é proveniente do baixo custo de produção de insumos na Índia, onde a indústria farmacêutica, incluindo a de fármacos, é altamente incentivada pelo governo. Fabricante principalmente de medicamento similar, a Torrent tem no portfólio cerca de 400 produtos e está investindo há oito anos em pesquisa e desenvolvimento de moléculas. O grupo, que tem negócios também na área de energia, faturou US$ 600 milhões em 2003; desses, US$ 150 milhões no setor farmacêutico.

Fonte: Gazeta Mercantil
24 de Maio 2004

Última atualização: 18.05.2005 , por WebSaúde
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